Rosa, a púrpura guerreira

Aqui descansa a guerreira. A pele em chamas. O sangue rubro. Em carne viva.
Tudo o mais é folclore.

da metamorfose


Por vezes é como se fosse um estranho misto de mulheres, heterónimos de mim mesma. Quem me conhece? Quem sabe qual de todas sou eu? Que importa sabê-lo, de resto?
Quando me dava ao luxo de me dar mais com os outros, era como se tivesse esses outros catalogados. Uns para as noites de boémia, outros para o chá com Garibaldis a meio da tarde, outros para ter com quem rir, outros para ficar enroscada de pijama a falar até ser dia, outros para me acompanharem a concertos, outros a quem telefonar e que, como eu, gostavam de ficar horas esquecidas a falar de nada, outros para me acompanharem ao cinema, outros ao teatro. Nunca ninguém.
Hoje sou eu, Rosa, Maria, Eva, pouco importa, e os outros pouco espaço ocupam em mim. Tornei-me egoísta, desiludida, amarga, dizem-me alguns. Que sabem eles? Que sabem os outros de cada um de nós?
 


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