
Desculpa a má companhia que te fiz, Sílvia. Sabes, estes dias não me têm sido particularmente gratos. Tenho-me escondido nas minhas memórias, nos comprimidos que me ajudam a dormir mas não me ajudam a fugir aos pesadelos, aos terríveis medos, às más lembranças. Desculpa se te deixei sozinha ficando eu mesma mais sozinha. És minha amiga. Chegas e partes, mas quando estás, és minha, estás presente, disponível. Se te pedir, deixas a tua nova conquista pendurada para ficares a beber comigo, enroladas no mesmo cobertor e trazes-me chocolates.
Desculpa ter-te falhado, não ter estado acordada, ter-me escondido nos suores da minha cama, e ter aí recusado a tua presença, o teu calor. Desculpa se o meu sorriso já não brilha, se não me apeteceu sair contigo à noite ou de dia, se me perdi dentro de mim.
Quando voltares, estarei mais inteira, espero. Assim como espero que não desistas de mim.
Um beijo, amiga-amiga.


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