de outras memórias (2)
Às vezes escrevo canções. E cartas. Se tivermos tempo e me quiseres ouvir, posso contar-te uma quase história de amor resultante dessas cartas. Não olhes para mim assim. Há histórias que podem ser de quase amor. Ou, pelo menos, são de amor até um certo momento. Depois passam a ser histórias de desamor. Ou de desencanto.
Como menino que foste, suponho que não lias histórias de princesas que viviam felizes para sempre. Suponho que daí não passaste para as histórias de amor sem princesas, mas onde, ainda assim, as mulheres e os homens conseguiam ser felizes. Suponho que nunca te iludiste. Mas acredita que há bonitas histórias de amor. E de desamor.
Preferiria ter sonhado com naves espaciais e extraterrestres. Como é viver essas aventuras? Que leveza nos deixam? A da imaginação? A das viagens?
Conta-me como eras em menino. Passavas o teu tempo com construções que nunca estavam terminadas? Guerreavas? Tinhas um amigo imaginário? Eu nunca tive. Não precisei. Sempre procurei um certo tipo de solidão. Aliás, de isolamento. Diziam-me que eu tinha a mania que era superior. Mas não era nada disso. Era apenas selectiva.
Ainda hoje sou, com os homens a quem dou um pouco de mim. Pouco, sim. Dou-lhes apenas a minha pele. A pele é uma superfície, uma ténue capa, um revestimento, um sofá onde se está confortavelmente, mas onde não passamos de meras visitas.
Como menino que foste, suponho que não lias histórias de princesas que viviam felizes para sempre. Suponho que daí não passaste para as histórias de amor sem princesas, mas onde, ainda assim, as mulheres e os homens conseguiam ser felizes. Suponho que nunca te iludiste. Mas acredita que há bonitas histórias de amor. E de desamor.
Preferiria ter sonhado com naves espaciais e extraterrestres. Como é viver essas aventuras? Que leveza nos deixam? A da imaginação? A das viagens?
Conta-me como eras em menino. Passavas o teu tempo com construções que nunca estavam terminadas? Guerreavas? Tinhas um amigo imaginário? Eu nunca tive. Não precisei. Sempre procurei um certo tipo de solidão. Aliás, de isolamento. Diziam-me que eu tinha a mania que era superior. Mas não era nada disso. Era apenas selectiva.
Ainda hoje sou, com os homens a quem dou um pouco de mim. Pouco, sim. Dou-lhes apenas a minha pele. A pele é uma superfície, uma ténue capa, um revestimento, um sofá onde se está confortavelmente, mas onde não passamos de meras visitas.



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