Rosa, a púrpura guerreira

Aqui descansa a guerreira. A pele em chamas. O sangue rubro. Em carne viva.
Tudo o mais é folclore.

da solidão



Às vezes, quando bebia demais, enroscava-me perdida em não sei que medos. Soltava as acusações mais fantasiosas, alimentava a má memória, deixava-me escorregar para o chão, de garrafa na mão e soltava palavras que entre lágrimas e soluços nenhum sentido faziam.
Era quando eu sabia que o Vítor se preocupava comigo. Apagava-me o charro, levantava-me do chão, limpava-me as lágrimas. Abraçava-me. Levava-me para a cama, despia-me, soltava-me o cabelo.
Depois deixava-me adormecer num abraço, no seu peito nu, no seu cheiro, na sua pele sempre bronzeada de pirata dos mares revoltos.
Quando acordava algumas horas depois, a cabeça a pulsar como cona em final de orgasmo, ali estava ele, sereno, desperto, à minha espera, na cadeira do quarto, cinzeiro no joelho, mais um cigarro a queimar entre os dedos.
Levantava-se e estendia-se a meu lado. Sentia um beijo nos meus cabelos e ouvia apenas “Já passou. Já está aí o sol.”
Depois eu passava noites e noites sem beber. Em paz.
Agora não. Agora não.

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