Rosa, a púrpura guerreira

Aqui descansa a guerreira. A pele em chamas. O sangue rubro. Em carne viva.
Tudo o mais é folclore.

das estrias


O que é isso de ter estrias no cérebro?, perguntaste tu.
Sabes como é quando ganhas peso e depois o perdes e se repete o processo sucessivas vezes?, perguntei eu em jeito de resposta.
Não devias preocupar-te com isso. Não as tens em lugar algum, digo-te eu, que conheço cada poro do teu corpo.
Mas não conheces o meu cérebro. Deixa-me explicar-te: estas estrias são o que fica quando te sentes feliz, depois miserável, depois confias de novo e sorris, e à noite quando adormeces já o mundo desabou de novo sobre ti, e assim sucessivamente.
Tu ficaste calado. Que responder?
As estrias podem emprestar-nos alguma personalidade, como as cãs ou as rugas, mas também nos desfeiam; impedem o sorriso; impossibilitam os orgasmos de nos libertarem. Sabes que é uma via de dois sentidos possíveis, não sabes? Que podemos libertá-los ou que podem ser eles a libertar-nos. Com as estrias passa a ser via de sentido único.
Acendeste um cigarro. Um apenas, para ti. Como poderias perceber o enleio de estrias que é o meu cérebro? Eu vi-me no espelho dos meus próprios olhos enquanto tentava vir-me ao som de Smetana.
Vá-se lá perceber.
 


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