Rosa, a púrpura guerreira

Aqui descansa a guerreira. A pele em chamas. O sangue rubro. Em carne viva.
Tudo o mais é folclore.

da fénix


Dizem que dói parir um filho. Pois sim, acredito que não se trate só de abrir as pernas e dilatar a cona para que passe qualquer coisa de bem grande, isso já eu experimentei e não dói, com algum engenho.
Mas dói, com toda a certeza, nascermos de nós mesmos, depois de termos morrido, de alguma forma.
Eu sou esta rosa que uma vez murchou. Renasci. Renasci de mim mesma depois de me ter virado do avesso, de ter arrancado a minha pele, de ter arrumado velhas gavetas e armários, de ter pendurado espanta-espíritos no alpendre, saindo de olhos abertos pela minha própria cona, púrpura de tantos embates, que em verdade se diga, sempre me pus a jeito.
O mérito não é outro senão este de me armar em fénix que pensa que pode sair a voar pela janela, "que era eu sem a vida, que era a vida sem mim?".
É um mérito muito meu este que me permite sorrisos inteiros, orgasmos profundos, abraços verdadeiros.
Saio à rua e poucos notam a diferença. A mulher é a mesma, as mesmas botas de saltos altos, o mesmo cabelo negro, o mesmo ritmo no andar. Mas olho-me ao espelho e já são muitos os dias em que gosto de me ver. Vejo-me nua e já não é só rosa-carne o que vejo, é também pele. E dentro da pele sinto-me, já não estou zangada.
Voltei à casa.
 


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