Rosa, a púrpura guerreira

Aqui descansa a guerreira. A pele em chamas. O sangue rubro. Em carne viva.
Tudo o mais é folclore.

da caixa de ressonância



"Eu a partir da caixa de ressonância que tenho nos genitais", dizia-me. Tens o quê?
E ele explicava. Explicava que todo o seu sexo era como o mais lindo soneto cantado por voz agitada, que o ritmo era inspirado nas nossas fodas inesperadas, aquelas que dávamos um ao outro em qualquer canto da casa, em qualquer momento, deixando-nos livres para adormecer abraçados e cansados quando à noite nos deitávamos.
"Caixa de ressonância..."?, insistia eu.
"Já não percebes a diferença quando alguém que te ama te fode?"
Mas não era disso que se tratava. Não era uma questão de perceber a diferença. Uma foda era uma foda, pensava eu.
Ele abanava a cabeça, abraçava-me e repetia "Eu a partir da caixa de ressonância que tenho nos genitais."
 


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