Rosa, a púrpura guerreira

Aqui descansa a guerreira. A pele em chamas. O sangue rubro. Em carne viva.
Tudo o mais é folclore.

da Sílvia


A Sílvia voltou hoje. Mais uma relação falhada e ei-la de novo a bater à minha porta, o seu quarto tal como o deixou na noite em que, mais uma vez, se iludiu com a possibilidade de uma felicidade sempre tão mal procurada.
Trouxe macarrão com queijo, que comprou no italiano aqui da rua, mas esqueceu-se do vinho branco. Tivémos que beber tinto, o que foi uma pena já que eu não gosto e assim bebi muito pouco. Ainda assim foi bom quando enroscámos as pernas na banheira, espuma até chatear, os irritantes U2 que ela escolhe sempre e o portátil a acusar nudges de não sei quem que me queria falar.
Ficámos na banheira até muito depois de a água ter arrefecido. Aproveitei para lhe pedir que me depilasse as virilhas, tenho andado tão descuidada, deve ser porque o Duarte teima em foder-me por trás, repara lá se estou depilada ou não.
Tinha saudades dela e não o sabia. Tinha saudades das suas mãos de seda na minha cona púrpura. Tinha saudades de mim mesma, nela. Tinha saudades de um orgasmo à la Sílvia.
 


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